Primeiro, aprenda a praticar (música)

Poucos sabem mas eu estudei música e violão clássico por 5 anos. Os sons de instrumentos de corda sempre me fascinaram muito, e violão é um instrumento de acesso fácil, então escolhi ele pra aprender. No ensino médio eu comecei a cursar eletrônica também, e com os afazeres da vida corrida eu acabei parando de frequentar a escola de música (hoje eu vejo que não era necessário; mas tudo bem, eu era novinha).

Em uma conversa no projeto de extensão um dos meus instrutores comentou que saber tocar um instrumento contou pontos na avaliação pra ingressar no projeto, porque aprender a tocar um instrumento mostra que você tem garra e dedicação. Isso me fez pensar e me instigou a voltar com a pratica do violão.

Só que eu já tinha percebido que minha forma de praticar não era eficiente. Eu não sentia que estava realizando progresso e sempre ficava tocando as peças que eu já sabia e evitando tocar as difíceis. É um dilema parecido com os estudos: todo mundo diz pra você estudar mas ninguém te fala como. Eu então fiz o que normalmente faço quando tou diante de um problema: fui estudar mais sobre ele.

Procurando algo na amazon que me ajudasse eu encontrei esse livro aqui: First, Learn to Practice. A princípio eu não dava nada por ele, mas comecei a ler e tou tendo insights maravilhosos. O autor começa tentando responder a seguinte pergunta: por que é divertido praticar um esporte (ex.: basquete) e não é tão divertido praticar um instrumento (ex.: piano)? A resposta está naqueles princípios da gamificação (sensação de progresso, feedback, etc.). Com isso ele começa a falar algo essencial e que eu não me dava conta: praticar é diferente de tocar.

Esse é daquele tipo de leitura que você tem que ir fazendo aos poucos, porque só ler não adianta. É preciso colocar em prática o que tá sendo dito. Estou lendo a duas semanas e até agora esses três princípios foram os mais importantes:

Princípio 1:
Praticar tem que ser divertido. Fim. Se você não tá gostando do treino, vá mudando até você gostar. Esse princípio é básico mas faz muito sentido.

Princípio 2:
Treinar é mais sobre movimento do que sobre qualquer outra coisa. Esse princípio foi sensacional. Se você focar no movimento sua mente não vagueia tanto quanto quando você está praticando e não tá indo rápido demais ou o som não tá saindo direito. E esse era um problema meu, ir avançando e tocando as peças mas de maneira desleixada e sem precisão. Só isso de focar o movimento já tornou a prática um pouco mais prazerosa.

Princípio 3:
Esse princípio é sobre a diferença entre tocar e praticar. A gente precisa ser bem objetivo quando diz que vai praticar. Passar uma hora com o instrumento pode ser tocar, fazer arranjos, ou só ficar brincando com o instrumento (o que eu fazia muito). Aqui a gente tem que pensar como mecânico. Ir trabalhando em cada pedaço até que ele fique completamente correto. Quase nunca se toca uma peça toda (do começo ao fim) quando estamos praticando.

Enfim, tou achando o livro sensacional e de cara já vai pra lista dos melhores que li esse ano. Vou continuar praticando e espero ter a garra e dedicação de tempos atrás, quando eu tava começando a tocar o instrumento. O mais legal é que eu sei que tocar afeta todas as áreas das nossas vidas, então fazer progresso com o instrumento também pode significar melhorar meu desempenho no trabalho e nos estudos.

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